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Narrativas do exílio venezuelano no Brasil após a captura de Maduro

Paulx S Gialdroni

Este texto não é sobre a posição política nem sobre as convicções deste autor, que são públicas e conhecidas. Tampouco pretende oferecer uma análise geopolítica ou partidária. O que está em jogo aqui é outra coisa.

O ano começou com uma notícia que atravessou o continente: a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, em uma operação conduzida pelos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump. Mais do que um fato policial ou diplomático, trata-se de um acontecimento inscrito em uma longa história de autoritarismo interno e de disputas imperiais sobre a região.

Há um ponto inescapável: ninguém viveu as consequências de mais de duas décadas de regime autoritário com a intensidade e o custo suportados pelo próprio povo venezuelano. É a partir dessa centralidade — a da experiência concreta, encarnada, de quem resistiu, perdeu, migrou e sobreviveu — que este texto se constrói.

Para compreender como esse acontecimento reverbera em quem foi obrigado a deixar o país, conversei com duas pessoas venezuelanas migrantes que hoje vivem no Brasil. A proposta não foi interpretar nem julgar, mas escutar. Escutar o que acontece no corpo, na memória e na vida cotidiana quando a história irrompe de forma tão abrupta em existências marcadas pelo exílio.

A crise venezuelana produziu um dos maiores deslocamentos humanos das últimas décadas. Milhões de pessoas foram forçadas a abandonar o território, formando uma das maiores diásporas do mundo contemporâneo. Na América Latina, e particularmente no Brasil, essa migração tem sido marcada por inserção em trabalhos precários, exploração laboral, instabilidade habitacional e experiências cotidianas de xenofobia, estigmatização e suspeita. É sobre esse chão material, feito de sobrevivência e vulnerabilidade, que hoje se inscrevem as reações à captura de Maduro e a incerteza sobre os rumos de uma possível transição, atravessada por interesses externos e pela disputa em torno da soberania popular.

Da Venezuela para o Brasil

Laura Camacho (35) chegou ao Brasil em 2018 e trabalha como analista de suporte técnico. Saiu da Venezuela em um dos momentos mais duros da crise. Ao receber a notícia, sentiu primeiro um impacto físico, um espanto que percorreu o corpo como se um nó antigo, carregado na garganta por anos, começasse finalmente a se afrouxar. No Brasil, o tempo pareceu suspenso: as tarefas perderam importância, o celular virou uma extensão da mão, o coração entrou em outro ritmo.

Laura saiu da Venezuela p/ o Brasil em 2018
Laura Camacho / Arquivo Pessoal

O primeiro sentimento foi o alívio, um suspiro profundo de quem deposita no chão um peso carregado por tempo demais. Mas logo vieram a cautela, a desconfiança aprendida e o medo por quem continua no país. Durante vários dias — quase uma semana — Laura não conseguiu se comunicar com sua família. O silêncio, a ausência de notícias, a impossibilidade de saber se estavam vivos ou seguros transformaram a esperança em ansiedade corporal permanente. O alívio coexistia com a consciência de que a queda de uma figura não encerra um sistema e de que intervenções externas não significam, necessariamente, justiça nem restituição imediata da soberania para um povo exausto.

Entre migrantes venezuelanos, conta Laura, há um consenso afetivo forte: o desejo de reencontro. A fantasia de voltar a abraçar sem telas, de reconstruir laços interrompidos pela fuga. Mas há também fraturas, incertezas e um luto silencioso por quem ficou pelo caminho. Para ela, hoje a Venezuela se parece com “uma casa que volta a abrir as janelas depois de anos fechadas: entra a luz, aparece o pó, a desordem, tudo o que terá de ser limpo e reparado. Mas o simples fato de o ar circular de novo já anuncia que a vida pode voltar”.

José Miguel Ocanto (32), psicólogo e defensor de direitos humanos, é membro do PSIMIGRA e integra a diretoria nacional da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO) no período de 2026 a 2027. Também participa do Fórum Nacional de Lideranças Migrantes, Refugiadas e Apátridas do MDHC e da Frente Nacional pela Saúde das Pessoas Migrantes, Refugiadas e Apátridas, onde atua na coordenação colegiada nacional.

José Miguel Ocanto / Arquivo Pessoal

Ele viveu a notícia como uma sobreposição de afetos. O espanto inicial deu lugar a um alívio que não consegue se expandir por completo, atravessado por cansaço, impotência e memória política. Para ele, a saída de Maduro não ocorreu da forma sonhada por muitos: não foi o próprio povo, por meio de mobilizações democráticas, quem conseguiu pôr fim ao regime, mas um processo atravessado por interesses de dominação regional.

Essa constatação reabre feridas profundas. José lembra das manifestações estudantis, dos escudos de papelão frente à repressão armada, das ameaças que o forçaram a deixar o país para proteger sua família. “Nunca exigiria de quem permanece na Venezuela que pague com a própria vida o custo de enfrentar um aparelho repressivo que atuou de forma sistemática, brutal e desumanizante por quase três décadas”, afirma. Para ele, esse sistema deverá um dia responder por crimes contra a humanidade cometidos contra seu próprio povo.

No diálogo com a diáspora, José percebe uma esperança atravessada pelo exílio, pela precarização e pela xenofobia, mas também por uma ética de responsabilidade em relação a quem ficou. Com aqueles que ainda estão na Venezuela, as conversas são marcadas pelo medo: detenções, revistas de celulares, vigilância sobre mensagens e redes sociais. O silêncio continua sendo uma estratégia de sobrevivência.

A distância, diz ele, permite ver com mais nitidez as tramas geopolíticas e a instrumentalização internacional do sofrimento venezuelano, mas não apaga a dor, nem a culpa de ter saído, nem o compromisso com quem resiste. Para José, a Venezuela hoje é um corpo coletivo ferido, atravessado por violência estatal, exílio e perda de soberania, mas que ainda preserva uma memória de dignidade e uma vontade persistente de futuro.

Duas vozes, duas trajetórias, uma experiência comum: a história recente da Venezuela não está apenas nos grandes discursos, mas inscrita em corpos que tremem, esperam, desconfiam e seguem sonhando — mesmo longe de sua terra — com o dia em que a vida possa, finalmente, voltar a respirar em liberdade.

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