Manifesto

Em 2020, seis profissionais travestigêneres ligados à comunicação se reuniram virtualmente com um propósito claro: criar um canal de informação que respeitasse os profissionais trans e a história de pessoas trans no Brasil.

Para qualquer empresário, essa poderia ser apenas uma reunião de negócios. Para nós, foi, primeiro, um espaço de cura, aquilombamento e reconhecimento mútuo. Compartilhamos nossas histórias, muitas marcadas por violência nos ambientes de trabalho e pelo modo como a mídia representa (ou apaga) nossos corpos e nossas vidas.

Historicamente, nossos corpos são marginalizados, assassinados, esquecidos e excluídos de debates que nos atravessam — desde o direito menstrual, à gestação e à racialidade, até o direito à mobilidade urbana, à moradia e à alimentação digna. A mídia tem uma responsabilidade histórica nessa exclusão, reproduzindo imagens em novelas, filmes e reportagens que nos apagam.

Com o avanço da extrema-direita e os ataques à diversidade — na chamada “guerra contra a cultura woke” — e, ao mesmo tempo, com um número recorde de candidaturas e artistas trans ganhando reconhecimento nacional, torna-se urgente termos pessoas trans comprometidas em registrar esses momentos históricos. E quem melhor do que nós para fazer isso?

A Transmídia nasce como a primeira mídia especializada na cobertura de pautas travestigêneres no Brasil. Nossa missão é clara: produzir conteúdos que impactem nossa realidade e valorizem nossa cultura. Somos uma equipe exclusivamente composta por pessoas trans, e cada conteúdo reflete nossa vivência e nosso olhar.

A Transmídia é interseccional, racializada, colaborativa e comprometida com os valores do jornalismo e da noticiabilidade. Nossa produção de conteúdo parte de nossas vivências, narrando a existência de corpos trans em sua plenitude e verdade, denunciando e promovendo uma contranarrativa à desinformação sobre a nossa existência. 

“De nós, para nós” — mas não só. Comunicamos para todos que queiram aprender e conhecer a realidade das pessoas trans, assim como também apoiaremos veículos que busquem “transicionar” a cobertura da pauta trans.

A Transmídia é mais que um espaço de fala. É um espaço de cura e resistência para aqueles cujas histórias foram silenciadas por tempo demais. Queremos somar forças com todos que reconhecem o valor da nossa voz e da nossa luta. Convidamos vocês a caminhar ao nosso lado, porque juntes podemos construir uma mídia mais justa, em que nossos corpos e histórias sejam finalmente contados com o respeito e a dignidade que merecem.

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