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Faz sentido separar gênero de sexualidade?

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Nas últimas semanas, o debate sobre se gênero e sexualidade precisam caminhar juntos voltou às redes. A discussão, impulsionada por postagens que falavam em um “rompimento” do movimento LGB com a letra T, reacendeu antigas tensões e levantou perguntas urgentes:  É possível falar de sexualidade sem pensar em gênero?

“Esse gesto separatista – e segregacionista –  repete uma história longa de transfobia dentro do próprio movimento LGBT, onde as travestis, as pessoas transmasculinas e as demais não binariedades sempre estiveram na linha de frente das lutas – mas, quando a visibilidade e a cidadania são negociadas com o Estado, esses corpos são jogados para fora da mesa.” Pontua  a psicóloga e doutora pela Universidade de São Paulo (USP), Andreone Medrado. 

Andreone Medrado sobre gênero e sexualidade

A história mostra que não. Gênero e sexualidade nasceram entrelaçados — e, desde as primeiras civilizações, foram moldados juntos pelas crenças, pelos poderes e pelos afetos de cada época.Mais que conceitos, são formas de habitar o corpo e o mundo.

O poder e o desejo

Na Antiguidade, Grécia e Roma fizeram do corpo um campo político.

Ser homem ou mulher não dizia respeito apenas à biologia, mas também a quem se podia desejar.

O masculino estava associado à dominação; o feminino, à passividade — e é dessa lógica que nasce a ideia de “papel de gênero”.

Gênero e sexualidade se tornaram um mesmo idioma para regular o poder ocidental.

A culpa e o controle

Na Idade Média, o prazer passou a ser pecado.

A Igreja definiu o que era “natural” e o que era “desvio”, impondo o casamento heterossexual como única forma legítima de amor.

Quem escapava das regras  — era punido.

Foi nesse período que gênero e sexualidade começaram a ser controlados pelo medo e pela moral.

Quando a ciência tentou separar

No século XIX, o discurso religioso cedeu espaço ao médico.

A ciência criou palavras novas para controlar o mesmo corpo: “homossexual”, “invertido”, “hermafrodita”.

A tentativa de separar gênero de sexualidade — classificando, diagnosticando e patologizando — acabou revelando o contrário:

O desejo e o gênero sempre estiveram entrelaçados na experiência humana.

Quando o corpo falou por si

No século XX, as vozes dissidentes romperam o silêncio.

Mulheres, pessoas trans e LGBTQIA+ ocuparam as ruas, as universidades e os palcos.

“Não se nasce mulher, torna-se mulher”, disse Simone de Beauvoir, abrindo o caminho para que Judith Butler afirmasse: “o gênero é performance”.

O que estava em jogo era mais do que teoria — era vida.

O corpo voltou a ser linguagem, agora como ato político de resistência e liberdade.

Hoje, o corpo é território

No século XXI, pensar gênero é pensar sexualidade — e vice-versa.

Travestis, pessoas não binárias, mulheres negras e indígenas têm ampliado a noção de existência, mostrando que o corpo é território de luta e resistência.

Nas redes, nas artes, nas periferias e nas universidades, novas vozes retomam o fio da história para lembrar:

gênero e sexualidade nunca estiveram separados — quem quis separá-los foi o poder, mantido por homens brancos cisgêneros e heterossexuais com grande poder aquisitivo.

Mesmo com um amplo acervo sobre o tema, a desinformação ainda paira, dentro e fora do movimento LGBTQIAPN+. Uma das confusões mais comuns é justamente entre gênero e sexualidade.

Para a psicóloga e doutora pela Universidade de São Paulo (USP), Andreone Medrado, a falta de circulação de informações confiáveis sobre as vivências LGBTQIAPN+ não é o único problema.

Em sua análise, há um tipo de apego a uma ordem normativa.

“Confundir gênero e sexualidade não parte de uma ingenuidade. É um projeto de apagamento. Mesmo em espaços mais educados, a escuta não atravessa o que já está construído como inteligível. A linguagem já vem enrijecida”, afirma a doutora.

Pra quem interessa essa confusão?

Pesquisadores entendem que a sociedade, em suas diversas facetas, é alicerçada na sexualidade — vista como um elemento multifacetado, influenciado por fatores biológicos, psicológicos, sociais, culturais, legais, históricos, religiosos e espirituais.

Essa confusão, segundo Andreone, é construída de forma institucional, afetiva e epistêmica — uma maneira de proteger as estruturas do colonialismo.

Para ela, compreender plenamente quem somos — ser uma pessoa trans, uma pessoa negra — é um ato de desobediência. E isso representa uma ameaça.

Tudo que não se adequa às barreiras normativas de gênero e sexualidade é contido, escondido e desinformado.

Segundo a psicóloga, é o próprio colonialismo que promove essa confusão para impedir que o conhecimento se espalhe.

Afinal, compreender como gênero e sexualidade estão intrinsecamente ligados à vida é confrontar outras realidades — e, consequentemente, os padrões impostos.

A desinformação começa na escola

Para Andreone, a desinformação começa nas escolas — ou melhor, no próprio sistema educacional — que a perpetua ao não acolher novas formas de ensino capazes de tensionar as normas já estabelecidas.

A falta de debates sobre educação midiática também agrava o cenário.

Hoje, a desinformação é uma arma política que causa pânico e promove controle social, sendo a população trans um dos principais alvos.

Higienização do saber

No novo livro “Ensaios sobre o Colonialismo: higienização, corpos, fé e subjetividade em disputa”, lançado no mês de setembro deste ano, Andreone Medrado aprofunda essa discussão.

Ela defende que o sistema educacional atual se organiza para conter informações que não favorecem as estruturas que o sustentam.

Como estratégia, nega a existência de outras narrativas e conta uma única versão sobre o mundo, a vida e o corpo — e sobre quem podemos ser.

O ser humano passa, assim, por um processo de higienização do saber, em que conhecimentos plurais deixam de existir ou são desvalorizados.

Esse processo cria o terreno perfeito para a desinformação e o ódio, que recaem, principalmente, sobre os corpos trans.

O resultado? Violência, apagamento, adoecimento mental e patologização — barreiras que impedem o acesso pleno à cidadania.

 “Uma vez que a gente transgride esse modelo, apresentamos novas formas de pensar. Estamos trazendo informação, cuidado. Não se trata apenas de ferramenta pedagógica, mas de poder — e de quem quer mantê-lo inacessível para que as pluralidades não apareçam”, explica Andreone..

Afinal, qual é a diferença entre gênero, sexualidade e expressão de gênero?

Identidade de gênero: é como você se percebe no mundo — a forma como se reconhece e se atribui características emocionais e psicológicas. Identidades como travesti, transmasculino, boyceta ou pessoa não binária são maneiras de existir.

Expressão de gênero: é como comunicamos ao mundo quem somos — por meio da forma de vestir, falar, gesticular e se comportar. É o modo como traduzimos nossa identidade.

Sexualidade: é o modo como o nosso desejo se comunica com o desejo do outro.

Esses conceitos — identidade, expressão e sexualidade — se tocam, se atravessam, entram em atrito, mas não precisam se confundir.

Para Andreone, são como fios de um tecido:

 “Se você puxa um, os outros respondem. Só que cada um reage de uma forma. Mas não fomos ensinados assim. Somos ensinados que, se você nasceu com um pênis, precisa ser nomeado como homem. E, uma vez homem, deve se atrair pelo seu oposto.”

Os conceitos se relacionam, mas não da forma como fomos educados.

Quando percebemos, expressamos e nos interessamos pelo outro, o desejo também revela como enxergamos o corpo da outra pessoa.

Enquanto a desinformação insiste em dividir o que a vida sempre uniu, vozes como a de Andreone Medrado ajudam a reconstruir o tecido do saber — feito de corpos, palavras e liberdade.

Andreone questiona: até quando esses conceitos precisam ser rígidos?

Para ela, identidade, expressão e sexualidade funcionam como um espiral e o sistema tenta barrar esse movimento, como se fosse uma linha reta, quando na verdade a vida não é linear e nem precisa ser.

Quer saber mais?

Andreone Medrado disponibilizou dois episódios do seu podcast Devaneios Filosóficos, onde aprofunda essas reflexões:

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