Editorias

  • Acué
  • Esquinas
  • Família
  • Navalha
  • Paju
  • Vital
  • Quem somos
  • Colunistas
  • Contato
  • Nossos projetos
  • Webstories
  • Republique
  • Quem somos
  • Nossos projetos
  • Colunistas
  • Webstories
  • Contato
  • Republique

Redes Sociais

Newsletter

Fique por dentro das narrativas que nos colocam no centro.

Este site é protegido pelo reCAPTHCHA e aplicam-se a Política de Privacidade e os Termos de Serviço do Google.

Editorias

  • Acué
  • Esquinas
  • Família
  • Navalha
  • Paju
  • Vital
  • Quem somos
  • Colunistas
  • Contato
  • Nossos projetos
  • Webstories
  • Republique
  • Quem somos
  • Nossos projetos
  • Colunistas
  • Webstories
  • Contato
  • Republique

Redes Sociais

Newsletter

Fique por dentro das narrativas que nos colocam no centro.

Este site é protegido pelo reCAPTHCHA e aplicam-se a Política de Privacidade e os Termos de Serviço do Google.

Criar memória para imaginar o futuro: a fotografia como permanência na trajetória de Pedro Jorge

transmidia-logo-simbolo-claro
Criar memória para imaginar o futuro: a fotografia como permanência na trajetória de Pedro Jorge

Pedro Jorge costuma dizer que faz fotografia. Mas, ao ouvir sua trajetória, fica difícil acreditar que a câmera seja o centro da história. Ela é, na verdade, uma ferramenta para algo maior: produzir memória, registrar existências e criar referências para que pessoas transmasculinas negras possam imaginar um futuro possível.

Essa compreensão não surgiu de uma vez. Foi sendo construída entre as lembranças da infância, as fotografias feitas pela família, o skate, a descoberta da própria identidade, o Capão Redondo e a percepção de que quase não existiam imagens capazes de contar histórias parecidas com a sua.

“Cada dia mais eu ando entendendo quem é o Pedro Jorge”, resume.

Criar memória para imaginar o futuro: a fotografia como permanência na trajetória de Pedro Jorge
Pedro Jorge / Arquivo

O primeiro contato com a fotografia aconteceu ainda adolescente. Fascinado pelas câmeras da tia e pela antiga câmera analógica do avô, começou registrando amigos do skate, familiares e o cotidiano do bairro. Ainda não havia um projeto artístico. Existia apenas a curiosidade de guardar momentos.

Com o passar dos anos, a fotografia ganhou outro significado.

Durante o processo de transição, Pedro percebeu que as referências disponíveis sobre homens trans quase sempre retratavam pessoas brancas e com condições financeiras muito diferentes da sua realidade. As experiências compartilhadas pareciam distantes demais da vida construída na periferia de São Paulo.

Foi justamente dessa ausência que nasceu uma pergunta que atravessa todo o seu trabalho: quem registra as vidas de pessoas transmasculinas negras?

A resposta começou de forma coletiva.

Criar memória para imaginar o futuro: a fotografia como permanência na trajetória de Pedro Jorge
“Cuida” de Pedro Jorge

Com ajuda de amizades de infância e das primeiras pessoas trans que conheceu, organizou uma sessão fotográfica reunindo homens trans negros e racializados no Capão Redondo. Cada pessoa colaborou de uma maneira: roupas, alimentação, filmagem, produção, espaço. O ensaio acabou se tornando também um encontro.

Foi nesse momento que Pedro entendeu que fotografar nunca seria apenas produzir imagens.

Era construir pertencimento.

Vieram então projetos como Corpos Esquecidos – Transmasculinidades, série que reúne dezenas de retratos de pessoas transmasculinas. Pedro define esse trabalho como um “arquivo vivo”. Em vez de esperar que essas histórias sejam lembradas apenas depois da morte, ele propõe registrar a existência em vida, celebrando presenças que historicamente foram invisibilizadas.

A ideia de arquivo, para ele, está diretamente ligada à permanência.

Essa percepção foi atravessada por experiências profundamente pessoais. A expulsão de casa após afirmar sua identidade, a convivência com outras pessoas trans durante a pandemia e a perda de amigos fizeram crescer uma inquietação que extrapolava a fotografia.

Como imaginar o futuro quando a sobrevivência parece sempre incerta? A pergunta transformou sua pesquisa artística.

Criar memória para imaginar o futuro: a fotografia como permanência na trajetória de Pedro Jorge
“Marcha Transmasculina” de Pedro Jorge

Se antes o foco era documentar corpos, agora era preciso pensar também nas condições para que esses corpos permanecessem vivos, conectados e fortalecidos. A memória deixava de ser apenas registro do passado para se tornar uma ferramenta de projeção de futuro.

Foi dessa reflexão que nasceu a Racional

Mais do que um projeto cultural, Pedro a define como uma plataforma voltada às transmasculinidades racializadas, articulando arte, cultura, formação, saúde, esporte e cuidado coletivo. O nome faz referência ao grupo Racionais MC’s e à ideia de construir estratégias de sobrevivência e permanência para uma população que ainda enfrenta profundas desigualdades.

“A gente fala muito de permanência. E permanência, para mim, é também o desejo de a gente não morrer.”

A frase sintetiza uma das reflexões mais potentes da entrevista. Ao longo da conversa, Pedro mostra que a produção de memória não está voltada apenas para aquilo que já passou. Ela serve para criar referências, fortalecer redes de apoio e oferecer novas possibilidades para quem chega depois.

Quando uma pessoa encontra alguém que viveu experiências semelhantes às suas, o futuro deixa de parecer impossível. É por isso que a fotografia ocupa um lugar tão importante em sua trajetória, não porque congela o tempo, mas porque abre caminhos para que outras histórias continuem existindo.

Ao final da entrevista, fica evidente que o trabalho de Pedro Jorge ultrapassa os limites da imagem. Seus retratos documentam pessoas, mas também registram afetos, comunidades e possibilidades de existência. Em tempos em que tantas histórias trans ainda são marcadas pelo apagamento, produzir memória torna-se também um gesto de cuidado.

E talvez essa seja a principal contribuição de seu trabalho: lembrar que imaginar o futuro também é uma forma de resistência.

Criar memória para imaginar o futuro: a fotografia como permanência na trajetória de Pedro Jorge
Joseph Rodriguez por Pedro Jorge

O que significa permanência para você?

“Permanência é sobre a gente continuar vivo. É poder existir sem que a nossa trajetória seja interrompida. Quando eu falo de permanência, não estou falando só do arquivo, estou falando da vida.”

Você acredita que a fotografia pode mudar a forma como uma comunidade se enxerga?

“Acho que sim. Quando a gente se vê representado, percebe que não está sozinho. Isso fortalece a coletividade e faz as coisas ficarem menos pesadas.”

Criar memória para imaginar o futuro: a fotografia como permanência na trajetória de Pedro Jorge
Dave Hasani por Pedro Jorge

Você costuma dizer que produz um “arquivo vivo”. O que diferencia esse arquivo de um arquivo tradicional?

“É registrar as pessoas em vida, celebrando as existências agora. Não esperar que alguém seja lembrado só depois que morre.”

O que você espera que reste do seu trabalho daqui a vinte ou trinta anos?

“Pode ser que minhas fotografias estejam em algum lugar, mas eu espero, principalmente, que elas tenham ajudado a criar outras formas de viver e de permanecer.”

Criar memória para imaginar o futuro: a fotografia como permanência na trajetória de Pedro Jorge
Lorre por Pedro Jorge

O que ainda falta registrar?

“Ainda falta registrar muitos de nós vivendo com tranquilidade, envelhecendo, construindo outras possibilidades de futuro.”

Criar memória para imaginar o futuro: a fotografia como permanência na trajetória de Pedro Jorge
Rezas para Ser Eu de Pedro Jorge
Leia Também: O tempo do Corpo

Newsletter

Este site é protegido pelo reCAPTHCHA e aplicam-se a Política de Privacidade e os Termos de Serviço do Google.

Leia mais

Editoriais

Colunistas

PUBLICIDADE

transmidia-logo-simbolo-claro

Equipe Transmídia

Notícias mais lidas

Confira os textos que mais bombaram na Transmídia

AteliêTRANSMORAS apresenta o desfile “Raízes do Futuro Encanto”, que celebra a moda como linguagem de resistência
Retirada de cotas trans em editais audiovisuais dificulta a presença da nossa população no cinema brasileiro
Em sua estreia como quadrinista da Transmídia, Leví Oliver reflete sobre a importância das cotas trans
Migrar sendo trans significa atravessar fronteiras físicas, legais e simbólicas.
Renda de pessoas trans é 32% inferior à média dos trabalhadores assalariados formais no Brasil
No mês do orgulho LGBTQIAPN+, o IMS promove, em São Paulo, o Circuito Ballroom: O amor é a mensagem.

FAÇA SUA BUSCA