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Da tela para a pele: o impacto da desinformação na vida de pessoas trans

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A desinformação não surge por acaso. Trata-se de um processo intencional que, quando direcionado a comunidades marginalizadas, como a população trans, se intensifica em um processo de mais violência. Essas narrativas distorcidas têm como objetivo desumanizar, colocando em dúvida cada aspecto da nossa vivência, como se nossos corpos fossem, por definição, uma mentira.

Foi isso que aconteceu com a designer audiovisual Kim Flores ao ter a sua imagem e seu nome usados em conteúdos falsos após denunciar um episódio de transfobia que viveu. O ciclo de ataques afetou gravemente sua saúde mental, desencadeando crises de ansiedade e depressão.

Tudo começou quando Kim marcou um atendimento em um salão de depilação e, para sua surpresa, teve o serviço negado sob a justificativa de que era destinado “apenas a mulheres”. Indignada, ela decidiu relatar o caso em um vídeo no TikTok e também deixou uma avaliação negativa no Google. A resposta da proprietária, no entanto, trouxe uma grave acusação: afirmou que Kim teria ficado de cueca e ereta no local. Uma mentira que foi rapidamente explorada por comunicadores e políticos eleitos, que passaram a espalhar fake news contra ela.

Desde então, Kim convive com crises de ansiedade frequentes, noites mal dormidas e fobia social pelo medo de ser reconhecida na rua. Enquanto criadora de conteúdo, tive minha atuação prejudicada e até hoje sofro com períodos onde não consigo criar justamente pela desmotivação que essas ações me causaram. Por vezes, desejo não estar mais presente nas redes sociais, o que fere diretamente meu direito de me expressar livremente, consequência da calúnia e difamação que sofri.

Desinformação como tática política

Essa estratégia não é nova, mas se intensifica quando propagada por políticos, como mostramos em reportagem anterior. O pânico moral se torna uma ferramenta poderosa para polarizar a sociedade e conquistar votos, e a pauta trans acaba sendo escolhida como alvo principal. Candidatos e grupos políticos espalham mentiras sobre tratamentos médicos, sobre a participação de pessoas trans em esportes e, em especial, sobre a infância trans.

As campanhas políticas, baseadas em dados distorcidos ou completamente falsos, constroem uma imagem perigosa em torno da comunidade trans. Um exemplo recorrente são os debates sobre “banheiros unissex” ou “banheiros para pessoas trans”, que alimentam o medo de que mulheres trans utilizariam banheiros femininos para cometer crimes contra mulheres cis. 

Essa narrativa, embora infundada, é mobilizada para justificar propostas que restringem o acesso de pessoas trans a espaços públicos, como a “Lei da Ideologia de Gênero”, projeto de lei presente em diversos estados e municípios brasileiros que se apoia na falsa ideia de que a educação em diversidade sexual e identidade de gênero seria uma “ideologia” perigosa capaz de “corromper” crianças.

Outro exemplo é a discussão sobre a participação de mulheres trans em esportes femininos. A desinformação, nesse caso, usa argumentos falsos sobre vantagens físicas, buscando deslegitimar a presença de mulheres trans no esporte e criando um discurso de ódio que fomenta a exclusão. Movimento esse que resultou na decisão do Comitê Olímpico dos Estados Unidos em proibir mulheres trans em competições femininas, segundo ordens do presidente Donald Trump. 

A batalha jurídica contra a desinformação

O impacto da desinformação na vida de pessoas trans é alarmante. Para Bruna Andrade, advogada de Kim e especialista em casos de LGBTfobia, conhecida como “Bicha da Justiça”, a desinformação é um fator de agravamento da violência. Segundo ela, as fake news propagadas nas redes sociais, em igrejas ou outros ambientes sociais, são a base para a violência física e digital contra pessoas trans.

Bruna destaca que os tipos mais comuns de desinformação são:

  • Questões envolvendo crianças e adolescentes trans: a negação de sua existência, atribuindo a identidade a uma “influência dos pais”.
  • Ameaças sobre o uso de banheiros: a falsa narrativa de que mulheres trans em banheiros femininos colocam em risco a segurança de mulheres cisgênero.
  • Falsas informações sobre destransição: a ideia de que a destransição é recorrente, quando, na verdade, é um fenômeno praticamente inexistente.
  • Desinformação sobre tratamentos médicos: mitos sobre a segurança de bloqueadores puberais e harmonização, que são frequentemente apresentados como prejudiciais, mesmo com estudos clínicos mundiais atestando sua segurança.

A advogada explica que a correlação entre o aumento da desinformação online e o número de casos de transfobia que chegam ao seu escritório é direta. Surgem lá uma série de fake news relacionadas à saúde trans e isso acaba gerando a inacessibilidade de pessoas a bloqueios ou harmonização, o que leva a ações judiciais para garantir o acesso a esses procedimentos.

O conselho de Bruna, assim como de Kim, para quem passar por uma situação de ataques decorrentes de desinformação é documentar e procurar justiça. “O primeiro passo em caso de exposição é armazenar todas as provas, fazer o download de vídeos, páginas e imagens que possam estar te prejudicando. Printar comentários, perfis e guardar links também é importante para compor a sua defesa. Por fim, buscar a justiça para que agressores possam ser responsabilizados é essencial, isso permite que você obtenha respaldo pelas leis que protegem a honra e a dignidade”, reforça Kim. 

Para ela, a responsabilização dos agressores não é apenas uma questão pessoal, mas uma forma de proteção coletiva. “Isso inibe o comportamento futuro de agressores e protege outras pessoas trans, criando cada vez mais jurisprudência em casos de transfobia.”

O desafio no judiciário

A desinformação não afeta apenas a população em geral, mas também os operadores da área jurídica. Bruna relata a dificuldade de trabalhar com juízes e outros membros do judiciário que também são influenciados por esses mitos. Primeiro temos que educá-los para depois convencê-los, revela.

Seu trabalho, segundo ela, é duplo: primeiro, atua como educadora, para depois fazer as solicitações jurídicas. Ela exemplifica com um caso de liberação de bloqueio hormonal, após uma resolução do Conselho Federal de Medicina. “Meu primeiro trabalho é sentar com o juiz e explicar para ele quais são os estudos científicos que trazem as vantagens do bloqueio puberal para um adolescente trans”, detalha. Depois, ela precisa mostrar que o Conselho permite esse mesmo procedimento para adolescentes cisgênero e que a proibição para adolescentes trans é fruto de preconceito. “A gente precisa educar o judiciário o tempo inteiro, desde explicar o que é ser trans até a diferença entre identidade de gênero e sexualidade”, conclui.

O maior obstáculo, na visão de Bruna, é que “existe todo um sistema para fomentar a desinformação”. A pauta trans é “extremamente positiva para o sistema” porque mantém votos, enriquece pessoas e serve como uma pauta ideológica para a direita. “A estrutura legal que temos hoje não é suficiente para combater a estrutura real de desinformação”, critica. Enquanto o volume de fake news for maior do que o volume de denúncias e condenações, a luta continuará desproporcional.

Para mudar esse cenário, além das ações judiciais, a advogada defende ações educacionais maciças nas redes sociais. Ela sugere que as condenações por transfobia incluam, como medida de reparação, o uso das redes sociais dos agressores para promover informações corretas sobre a comunidade trans, transformando o ódio em ferramenta de educação e justiça.

Pessoas cis também sofrem com a desinformação 
Desinformação: Vaneza Francisca sofre transfobia no metrô em São Paulo
Foto: Instagram/@vaneza.o

O caso da atriz cisgênero Vaneza Francisca é um lembrete cruel de que a violência transfóbica pode atingir qualquer pessoa.

Vaneza foi vítima de um ataque transfóbico no metrô de São Paulo, sendo ofendida e agredida verbalmente por um homem que a confundiu com uma mulher trans. O agressor usou expressões como “travesti”, “puta” e “vagabunda”, revelando que o ódio não se baseia na realidade e sim na percepção distorcida e preconceituosa que a desinformação ajuda a criar. O ataque não foi contra a identidade de Vaneza, mas contra o que o agressor achou que ela era, ou seja, uma mulher trans.

Após o ocorrido, Vaneza se manifestou publicamente, mostrando sua solidariedade. “Eu vivi isso por um dia, mulheres trans vivem isso todos os dias”, declarou a atriz, ressaltando que a transfobia é uma violência que aterroriza a vida de pessoas trans de forma cotidiana e sistemática.

A desinformação cria um ambiente propício para a disseminação de discursos de ódio, ao apresentar a transfobia como se fosse apenas uma “opinião” ou uma “verdade”, e não um ato criminoso. Esse processo contribui para a normalização de narrativas que podem se traduzir em violência física e psicológica contra pessoas trans. Nesse contexto, o enfrentamento à desinformação torna-se um elemento central para a proteção da dignidade e dos direitos humanos de todas as pessoas, sejam elas trans ou cis.

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